Elemento nomeado: Produnova (VT)

Elena Produnova em 1999 na Copa Chunichi. (Foto: Gym Box)
Dando continuidade a série "Elemento nomeado", trataremos hoje sobre o Produnova, o salto com o maior valor no código de pontuação, atualmente, mas que até 2005 possuía o mesmo valor do Amanar: 10 pontos - valor máximo para um elemento, na época. Executado com sucesso pela primeira vez em 1999 pela ginasta russa Elena Produnova, esse movimento consiste em uma reversão com duplo mortal na posição grupada. Além de ser um salto de extrema dificuldade, Elena conseguiu executá-lo com perfeição sobre o cavalo - até 2000, não era usado a mesa no salto como hoje em dia -, o que necessita de mais precisão e treino para sua execução.

Antes de Elena, em 1980, a norte-coreana Choe Jong Sil fora a primeira mulher a tentar realizar uma reversão com duplo mortal no cavalo [link], porém ela caiu sentada, portanto, o salto não foi validado. Somente 19 anos depois, em 1999, durante a Universíade, esse salto foi realizado com perfeição pela primeira vez. Produnova provou que era possível realizá-lo, e meses depois voltou a repeti-lo no Campeonato Mundial, quando foi finalmente homologado e recebeu seu nome.

Até 2005, o salto tinha valor máximo de 10 pontos; Em 2006, com a mudança no Código de Pontuação, esse elemento passou a valor 7.1 e, a desde de 2013, 7.0 pontos. A partir do ano que vem ele será rebaixado para 6.4, mas ainda continuará sendo o salto mais difícil dentre todos da tabela de elementos feminina.

Na década passada, nenhuma ginasta realizou o movimento em competições internacionais, talvez por isso o seu valor tenha se mantido como o maior. Em 2011, a dominicana Yamilet Peña Abreu competiu com esse elemento: conseguiu "acertar" na classificação, mas na final acabou tirando zero. Nos Jogos Olímpicos do ano seguinte, a mesma coisa. Até a presente data, apenas  3ginastas, além de Elena e Yamilet, realizaram esse movimento: a uzbeque Oksana Chusovitina, a egípcia Fadwa Mohamed e a indiana Dipa Karmakar.

Algumas pessoas, há alguns anos, discutem, em blogs e fóruns de ginástica, sobre a possibilidade da FIG de banir esse movimento, por ser bastante "perigoso". Em 2014, durante o Campeonato Africano, a ginasta Mohamed aterrissou quase de cabeça no chão [aqui], além de, geralmente as atletas que tentam esse salto, terminarem deitadas no colchão de pouso. Particularmente, acredito que o movimento não deva ser banido e os técnicos de suas respectivas atletas deveriam ser um pouco mais prudentes ao treinar suas meninas a realizarem elementos de extrema dificuldade se elas não estão aptas a isso.

Esse salto é do grupo 2 no código de pontuação, significando que a ginasta aborda a mesa de frente e seu número de identificação é 2.50 [é o número que aparece no marcado eletrônico antes da ginasta performar o movimento para que os juízes saibam de antemão qual o seu valor].

Confira abaixo a criadora do salto, Elena Produnova, realizando da melhor maneira o elemento:

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