O Brasil não precisa ter medo

As brasileiras Flávia Saraiva e Rebeca Andrade sorriem durante a premiação da trave de equilíbrio. (Foto: Heiner Stephan)
Terminou no último domingo, 25, a 43º edição da Turnier Der Meister, tradicional etapa da copa do mundo de ginástica artística que acontece anualmente em Cottbus, Alemanha, desde 1979. Como vocês devem saber, essa é a primeira das oito competições de especialistas que dará, ao primeiro do ranking de cada aparelho, vagas para disputar os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020. As meninas do Brasil competiram e conquistaram medalhas em todas as finais. Rebeca Andrade obteve dois ouros (VT e BB) e uma prata (UB). Flávia Saraiva também subiu ao pódio mais de uma vez: primeiramente na trave, conquistando a prata, e, posteriormente, ganhando o ouro no solo. Jade Barbosa, sétima no salto, foi prata no solo. A única das brasileiras competindo em Cottbus que não passou para nenhuma das finais foi Lorrane Oliveira, que ficou em 11º nas barras assimétricas.

Rebeca mostrou que tem séries para competir em qualquer grande evento da modalidade. No Campeonato Mundial de Doha, que terminou no início desse mês, ela não competiu dois saltos, portanto, não pôde disputar a final do aparelho, o que gerou muita especulação entre os fãs, pois, com os saltos apresentados em Cottbus, 15 dias depois, ela facilmente teria sido medalhista de prata, perdendo apenas para a imbatível Simone Biles. Seus saltos foram elogiadíssimos por Tim Daggett, comentarista da NBC, o qual afirmou que o primeiro "foi lindo e que ela é capaz de realizar o Amanar" e o segundo "não poderia ter sido realizado de maneira melhor". Na final das assimétricas, mais uma série maravilhosa, que rendeu a ela incríveis 14.500 (com 8.6 de execução) e a medalha de prata, perdendo o ouro apenas para atual campeã mundial Nina Derwael. Na trave, mesmo sem algumas ligações e tendo leves desequilíbrios, ela conseguiu se manter concentrada até o fim e terminou em primeiro - nada tão difícil em uma final em que apenas duas atletas não caíram, não desmerecendo o título da brasileira.

Flávia disputou apenas trave e solo. Na trave, mais uma vez, errou o mortal esticado, que desde o individual geral de Doha não acerta em uma final. Errou no Memorial Arturo Gander, errou na Swiss Cup e errou em Cottbus. A série dela é muito bem montada, mas algumas vezes falha em momentos decisivos. Na final do solo, deu um show de artisticidade e conquistou o ouro, superando a favorita Jade Carey, que tinha a maior nota de dificuldade da competição (6.1). Se, no mundial, a medalha escapou por um décimo, aqui, Flavinha venceu por mais de meio ponto. Com a nota obtida, de 14.100, era prata no mundial.

Particularmente, o desempenho da Jade nessas últimas semanas foi o que mais me deixou feliz. Ela conquistou o ouro no individual geral do Memorial Gander, bronze na Copa da Suíça e prata no solo de Cottbus, além do sétimo lugar no salto. Ela pode mais, se aumentar a dificuldade do segundo salto e manter-se saudável.

O Brasil não precisa ter medo. As nossas meninas mostraram que têm potencial e competência para disputar com as maiores seleções da modalidade. Só precisam acertar nos momentos que importam - claro que às vezes não é tão simples assim. Quase conquistamos o bronze no mundial. Com algumas notas da última competição, pelo menos três medalhas teríamos levado: prata no salto e bronze na trave com Rebeca, e prata no solo com Flávia.

Os Jogos Pan Americanos estão chegando e o Brasil pode conquistar títulos e resultados ainda inéditos, como um ouro na trave e no solo, por exemplo. Dependendo das equipes que os Estados Unidos e Canadá enviarem para o Pan de Lima, em julho, e, claro, do nosso desempenho, pode ser até que superemos o nosso melhor resultado por equipes, a prata do Pan do Rio de Janeiro, 2007.

Sem comentários