Estados Unidos definem equipe!

Seleção americana de ginástica para o Rio 2016 (Foto: USA Gymnastics)
Sem nenhuma surpresa, foi anunciado oficialmente ontem (10 de julho) os nomes das cinco ginastas que representarão os Estados Unidos nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro mês que vem. Das cinco vagas, quatro pareciam já ter sido preenchidas antes mesmo do US Olympic Trials começar: apenas uma vaga, efetivamente, estava em disputa na competição e foi preenchida pela segunda ginasta estadunidense que mais conquistou ouros em mundiais nesse quadriênio: Madison Kocian.

As campeãs olímpicas Gabrielle DouglasAlexandra Raisman, as campeãs do mundo Simone Biles e Madison Kocian e a estreante na categoria adulta Laurie Hernandez terão a nada difícil missão de defender o título olímpico de melhor seleção nos Jogos Olímpicos. Ragan Smith, Mykayla Skinner e Ashton Locklear foram eleitas as suplentes da seleção. 

O segundo dia de competição do US Olympic Trials começou por volta das 21h30 da noite (horário de Brasília) e não foi uma competição emocionante, uma vez que as vagas, depois do primeiro dia, pareciam já estarem todas preenchidas. O segundo dia serviu apenas para formalizar os nomes, que a comissão técnica já havia escolhido há meses. Não pareceu uma competição justa.

Os juízes da competição pareciam estar valorizando as atletas que eram mais cotadas a integrar o time e desvalorizando as demais. Ashton Locklear, por exemplo, que fez uma rotina nas assimétricas bem mais correta do que todas as competidoras [aqui], pontuou dois décimos a menos que Madison Kocian [aqui], que se apresentou de forma tão parecida ou até pior que Locklear, cometendo erros pífios.

Simone Biles também parecia nervosa. Conseguiu melhorar sua nota do primeiro dia em apenas um aparelho, o salto. Na trave, caiu em um elemento de extrema dificuldade, mas ainda assim conseguiu a maior nota da noite no somatório dos quatro aparelhos.

Gabrielle Douglas, que não tem competido tão bem ultimamente, também deixou a desejar. Com outra queda na trave e uma apresentação no solo pontuando menos que no primeiro dia, ela conseguiu a melhor nota nas assimétricas, motivo pelo qual ela esteja na equipe. 

Laurie Hernandez, que estreou recentemente na categoria adulta, tem se mostrado uma concorrente forte à vaga de segunda AAer do país. No primeiro dia, terminou em segundo lugar, ficando atrás de Simone Biles por "apenas" um ponto. Ontem, terminou em segundo lugar mais uma vez, mesmo com erros no solo. 

Alexandra Raisman foi terceira colocada na competição em ambos os dias, não chegando aos 60 pontos em nenhum dia. No solo, aparelho em que é campeã olímpica, conseguiu o segundo maior score, após os dois de competição. 

Madison Kocian, ginasta norte-americana com mais títulos mundiais nesse ciclo depois de Simone Biles, obteve a maior nota da noite nas barras assimétricas, 15.900, carimbando o passaporte para o Rio de Janeiro. 

As três suplentes, anunciadas minutos depois das titulares, são Mykayla Skinner, Ragan Smith e Ashton Locklear. As duas primeiras terminaram, respectivamente, em quarto e quinto lugares no individual geral, ficando frente de duas ginastas titulares (Douglas e Kocian). Skinner fez a melhor competição de toda sua vida, conseguindo mais de 59 pontos em ambos os dias. Smith ainda precisa de mais tempo, mais competições internacionais e consertar algumas coisas em suas séries. Ashton, infelizmente, só poderia contribuir nas assimétricas e, com Kocian e Douglas, suas chances eram mínimas. 

Após o anúncio das cinco escolhidas, mesmo com todas as previsões e estatísticas apontando para esses nomes, alguns meios de comunicação e pessoas comuns na internet, não gostaram muito da convocação de Douglas (ver aqui, aqui e aqui).

Ficou um questionamento: se as ginastas são escolhidas com base em todas as competições anteriores, por que então realizar uma competição que serve como teste para os Jogos Olímpicos, cujo objetivo é selecionar as melhores atletas para a equipe, se elas já estão escolhidas? 

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