Por que, afinal, Douglas está na equipe?

Gabrielle Douglas após o primeiro dia de competição no U.S. Olympic Trials (Foto: NBC Olympics)
Após o anúncio oficial das atletas titulares da equipe norte americana para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, muitos comentários emergiram na internet de fãs do esporte e de periódicos esportivos, tais quais a ESPN, sobre a nomeação de Gabrielle Douglas. Ela, que realmente, não teve um desempenho satisfatório nas três últimas competições nacionais (US Clasics, US Nationals e US Trials), parece ter sido escolhida não  pelo que apresentou, mas pelo que pode fazer nas Olimpíadas.

No começo do ano, quando as pessoas começaram a fazer previsões sobre as equipes olímpicas, Simone Biles, Alexandra Raisman e Douglas eram nomes em [quase] todos os palpites. O ano foi avançando, as competições foram acontecendo e o desempenho de Douglas só regredia, ao invés de progredir. 

No US Classics, em abril, competiu em apenas dois aparelhos, assimétricas e trave. No primeiro, obteve a terceira melhor nota da competição, 15.650, ficando atrás de Ashton Locklear (15.850) e Madison Kocian (15.700). Na trave, não chegou nem aos quinze pontos, 14.650. No Campeonato Nacional, dois meses depois, mais reveses: ela terminou em quarto lugar após os dois dias de competição, pontuando menos de 59 pontos em ambos os dias e ultrapassando os 15 pontos em apenas duas das oito séries apresentadas. 

Depois do Campeonato Nacional, as atletas classificadas passariam para a próxima e última fase em busca da vaga olímpica: o US Olympic Trials. Douglas prometeu as melhores séries do ano. Martha Karolyi, responsável pela seleção feminina, fez questão de deixar claro que acreditava em Douglas e, mesmo com essas performances aquéns, ela levaria em consideração outras questões para mantê-la na equipe.
Na minha cabeça, mesmo com a queda na trave, ela se apresentou nos outros três aparelhos melhor do que em treino. [...] Ano passado, às vésperas do Campeonato Mundial, nós pensávamos que ela não integraria a equipe e ela foi evoluindo a cada dia até que terminou a competição com a medalha de prata no AA. [link]
Com o fim do segundo dia do Trials, quatro das vagas pareciam ter sido confirmadas, mesmo sem o anúncio oficial: Biles, Raisman, Kocian e Hernandez. A última vaga muitos já esperavam que fosse de Douglas, mas ainda assim acreditavam que a Comissão decidissem por outra - as mais cotadas eram Mykyla Skinner, que, no começo do ano não era nem cogitada, após duas competições excelentes terminou em quarto lugar no AA e Ashton Locklear, que mesmo caindo na trave no primeiro dia e desequilibrando bastante no segundo, conseguiu pontuar bem mais nas assimétricas que Douglas.

Não aconteceu. Douglas foi anunciada por Steve Penny, presidente da Federação Americana de Ginástica, como integrante da Seleção Americana e se comprometeu a dar o melhor de si no Rio de Janeiro. 

Os argumentos da maioria em defesa de Douglas eram dois: as assimétricas dela são muito fortes - contra Skinner - e ela é capaz de contribuir em mais de um aparelho - contra Locklear. Mas quais outros aparelhos ela pode contribuir em uma equipe com 4 saltos bons (se considerarmos o DTY de Kocian), três traves muito consistentes (Biles, Hernandez e Raisman) e os três melhores  solos do país, em média, dessa temporada (Biles, Hernandez e Raisman)?

Parece que a Douglas deixou de ser ginasta há algum tempo e transformou-se em uma "atleta celebridade", com contrato de milhões de dólares, programa de televisão, e muita mídia, e isso pelo visto pesou bastante na decisão da Martha. A própria Gabrielle chegou a dizer "que perdeu um pouco a paixão pelo esporte" [link]. 

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